A vida - com seus caminhos cheios de curvas, de atalhos e tropeços - está sempre nos convidando a refletir, a entender, a aceitar, a nos perdoar, a amar... a sorrir! O caminho nem sempre é reto, mas nos leva a algum lugar. Isso sempre! Muitas vezes, a subida é longa e desgastante, mas, lá do alto, podemos ter a melhor visão. A mais exuberante!
Ainda hoje, falava sobre o quanto é bom fazer trilha. Lembrava da caminhada, da subida até o Pico da Tijuca e a paz que aquele lugar nos reserva. Mesmo com a tristezinha insistente (que tem me roubado o sorriso, em muitos momentos), há sempre um pouco de alegria guardada, seja num cheiro, num sabor, numa imagem, num gesto inesperado, numa lembrança... E, hoje, eu lembrava da Subida ao Pico da Tijuca, para, em ato contínuo, lembrar-me, também, da Cachoeira das Almas... Sua água fria, num dia frio, meu medo de sentir mais frio... E, quando menos esperei, já estava a me banhar, sem sentir mais o corpo. Engraçado como o ato de "não sentir" me levava a sentir tanta coisa boa. Sobretudo, naquele momento, senti paz. Alegria e paz. Lembro que eu sorria...
Talvez seja esse o segredo: despir-se do medo e experimentar a água fria, aceitando o choque, para, depois, sem nada mais sentir, experimentar a paz. Faço de conta, então, que estou a tomar um banho de cachoeira (como sempre me imagino, quando estou sendo abençoada, no passe espírita. Ao fechar os olhos, penso que um amigo de luz me segura pelas mãos e me leva em direção a uma cachoeira ou me imagino olhando o mar, com Jesus Cristo do meu lado, ensinando-me a importância das ondas...), porque tudo o que preciso, neste momento, é não sentir, para sentir.
Às vezes, a gente caminha tão sem direção, que é necessário parar para rever a rota, o destino, o que é realmente importante. Às vezes, concientes, conseguimos entender que a bagagem que carregamos está pesada demais com coisas que sequer nos serão utéis um dia. Neste momento, tranquilos, vamos deixando no caminho, com desapego, tudo de que não mais precisamos. Outras vezes, não temos a capacidade de entender isso sozinhos. É quando somos tomados de supresa e "alguém" nos leva o tal "objeto" que não pode mais compor nossa bagagem... Maldizemos o outro, nos ressentimos, nos magoamos, para, só depois, entender que tudo tem um "porquê".
Confesso que não sou do tipo "desapegada". Talvez, por isso, ainda sofra tanto com a falta do que queria carregar comigo, mas que acabou ficando no meio do caminho... Bem, pelo menos, hoje, decidi seguir em frente, depois de mais um golpe de "alguma coisa ficou no caminho". rs...
Foi difícil acordar cedo, para retomar minha rotina, minha malhação matinal, deixada de lado há quatro semanas (por estar adoentada em duas delas, mas por preguiça de retornar depois). Reuni as forças das quais não dispunha e levantei da cama. E olha que bom: levantei, para sorrir! Para sentir alegria! Nem havia entrado na academia, ainda, e já ouvia pessoas gritando meu nome: "Alê voltou! Gente, Alê tá subindo!". Fiquei feliz com a recepção. É tão bom quando a gente se sente querida, principalmente em dias feitos pra chorar... É tão bom poder contrariar a tristeza com um sorriso, ainda que discreto, contido. É bom demais receber carinho, em momentos em que a indiferença de alguns lhe toca a fronte, implacável.
É assim mesmo: de onde menos esperamos, vem o afago, o auxílio espiritual, na presença de amigos e até em gestos de pessoas que nem sabemos que gostam tanto da gente. Semana passada, numa manhã de trabalho como todas as outras dos últimos dias, fui recepccionada pelo juiz que presidia a audiência, que me estendeu a mão e me disse, com um olhar fraterno no rosto e com a suavidade típica de um senhor, que já ultrapassa os sessenta anos de idade: "Doutora, a senhora é uma das advogadas que mais gosto de ver. Fico alegre ao ver a senhora. Eu, supresa, questionei a deferência. Ele prosseguiu: "Não sei bem explicar... mas a senhora tem uma serenidade, está sempre sorrindo, tranquila... É firme quando deve ser dura, mas não perde esse ar sereno. Como posso dizer? Deixe-me ver... A senhora é meiga. Isso mesmo. É meiga!" Eu não via outra forma de agradecer o gesto, senão sorrindo e assentindo, tímida, com a cabeça. E, então, ele concluiu: "a senhora me faz lembrar aquela famosa frase de Che Guevara: 'Hay que endureserse, pero sin perder la ternura jamás'". Não preciso nem dizer o quanto fiquei comovida com essas palavras, não é? Até porque estava tão quietinha no meu canto, naquele dia... Sorrir estava sendo mais um ato sociável que espontâneo... Mas não deixa de ser um exercício!
Assim é a vida, dizia eu... sempre nos convida a sorrir. Eu tenho certeza que a tristeza faz parte do processo e, enquanto a alegria não se faz plena de novo, não custa nada um sorriso ou outro... A vida sempre nos dá motivos para sorrir!
Essa música de Djavan diz tudo!
Boa sorte!Tbém tenho um blog Xanda,mas o meu é sobre moda,visita lá: http://www.coisasdeclari.blogspot.com
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