Não fosse a tarde maravilhosa, na presença de amigos queridos, na casa de Querol (primeiro almoço na casa dos recém-casados, Carol de Dan), eu poderia dizer que o dia de hoje seria um dia ideal para ser esquecido. Esquecido, na tentativa de neutralizar as energias ruins da manhã.
A gente sempre assiste, em filmes, novelas, até ouve falar por aí da existência de pessoas que sentem prazer em magoar os outros. Assistimos, de longe, e horrorizados, noticiários de pais que matam filhos e vice-versa... Sabemos de irmãos inimigos, que, sem explicação aparente, matam-se, com golpes de faca, arma de fogo ou qualquer outra arma letal. Mas, hoje, eu morri para minha irmã atingida pelas suas palavras.
Eu já havia sido golpeada outras vezes. Muitas outras. Desde criança, ela já se apresentava como minha inimiga particular, aquela que se mostra aos poucos, sem que ninguém mais da família notasse. Mas eu sabia. Eu sempre soube, na verdade. Era um ciúme desmedido, uma inveja discreta e inexplicável. Uma disputa para a qual eu sequer teria sido convidada. Se o tivesse sido, também não aceitaria.
Acho que irmãos deveriam ser amigos, mas essa minha idéia nunca saiu do mundo mesmo das idéias. Foi assim que fiz minha família grande, mas grande de amigos, que adotei como irmãos, porque a vida me ensinou a amá-los. A irmã que tive nunca foi minha amiga e, se um dia (sei lá quando!), percebi que jamais seria, hoje, tenho a convicção de que, realmente, não há chances! Hoje, minha irmã me matou. A verdade é que, para mim, ela deixou de existir há tempos, mas eu nunca a matei. Ela só perdeu a forma. Digamos que tenha sido uma morte natural.
Ela é má, guarda um coração cheio de ódio. Não sabe amar, porque sempre foi muito egoísta pra sentir amor.
A Doutrina Espírita me ensinou sobre a necessidade da convivência em família, para resgates dos quais não nos lembramos, mas com os quais nos comprometemos. Fico a me perguntar: eu escolhi mesmo a convivência com uma pessoa assim? Por que, meu Deus? Escolhi mesmo viver num ambiente tão insalubre, tendo minhas energias subtraídas por um inimigo tão próximo? Escolha desfeita! Não quero mais. Hoje, gritei aos quatro ventos uma decisão que reflete a minha verdadeira vontade. Aquela que meu coração não nega, mas que não guarda a podridão das palavras que ouvi em forma de praga. As rejeito, mas a minha rejeição nãolhes retira a nocividade, a maldade. E isso é, inegavelmente, triste.
Às vezes, penso que não posso esquecer a manhã de hoje, mas prefiro pensar que o melhor é deixá-la passar, com suas palavras, com sua crueldade... passar, levando a irmã que meu coração não consegue amar. A irmã que mostrou suas garras e sua alma nua, seus pensamentos sórdidos, seus sentimentos cruéis. A irmã que sequer percebe que o futuro que me deseja já se faz presente na vida dela há muito tempo!
Tudo o que quero é me manter longe, "para que meus inimigos tenham olhos, mas não me vejam; tenham pernas, mas não me alcancem...".
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