A pior distância não é física, porque esta, muitas vezes, com um único click em "comprar passagens", você afasta. Pior de tudo é estar perto e faltar o estender das mãos, a direção de um abraço, a entrega. Pior é pensar demais num convite que depende tão apenas do seu "querer", já que todas as outras barreiras já foram ultrapassadas. A dificuldade maior não está em atravessar a Barra-Ondina, na contramão do carnaval, para estabelecer contato, restabelecer laços, remediar a saudade de tanto tempo. O pior é encontrar, no meio do caminho, na companhia de amigos do convívio diário (e acesso fácil), a desmotivação para seguir em frente e resolver ficar por ali mesmo... e você à espera... Pior quando as palavras silenciam, pela ausência de coragem de dizer "não", e aquele silêncio dói tanto quanto, mas com o plus da angústia! Afinal, o "não" dito retira a angústia da expectativa! E você, que achava que Botafogo e Flamengo eram tão próximos, percebe que não há diferença entre os kilômetros que separam Salvador e Rio de Janeiro, quando falta vontade verdadeira, interesse... E sua mania de ver beleza no simples, de amar o genuíno, de querer que seja "de coração" esbarra no "vou avaliar a sua proposta com carinho". Ai, ai... Você queria que ele tivesse vibrado com o convite da mesma maneira que você vibrou com a possibilidade! Esse "pensar com carinho" lhe soa até estranho, porque o melhor carinho que você conhece (e se acha merecedora) é aquele desprovido de qualquer pensamento, dissociado de qualquer razão... É aquele que vem no toque nervoso das mãos; no torpedinho, numa madrugada tão improvável; no beijo que parece dizer "eu quero você"; no olhar emocionado... Ai... O melhor carinho ainda é aquele abraço! Mas, infelizmente, ele precisa avaliar. Enquanto isso, você já pode concluir: Salvador não é tão longe do Rio de Janeiro quanto Botafogo é longe do Flamengo!

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