Alexsandra Bastos Minha Epifania

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O templo, o amor, a promessa. O Templo do Amor e a promessa...

Como todos sabem, meu melhor amigo, Fábio, está passando uma temporada na Índia. Parece e não parece que ele está lá, tão longe... Sim, porque só noto mesmo a distância quando sinto falta daquele abraço apertado e inteiro que só ele tem. Abraço de cumplicidade, de entrega, né, amigo? De amor.

Bem... Quero falar sobre o templo, o amor e a promessa, e vocês logo vão saber o que tem Fábio a ver com isso. Embora o título sugira, não é uma lenda o que narrarei aqui. É real. Tão real que, sem muito esforço, posso ouvir o som e sentir o cheiro que emana de lá da Índia, daquele templo... o som da voz de um amigo, o perfume que exala dos braços de Krishna... O som e o perfume - o dar e o receber. Daqui, a minha gratidão, a minha reverência... a espera, já feliz! 


(para enfeitar Krishna)

("Temple of Love")

(Ele dizia, diante do altar: "Olha, você já sabe de tudo. Então, já sabe o que vim falar. Mas, eu preciso falar assim mesmo, pra estabelecer a promessa...". rsrs...)

Assim que a viagem à Índia foi agendada, Fábio e eu acordamos que, quando ele estivesse lá, faria uma oferenda em meu nome, por orientação de algum Mestre da confiança dele. Uma coisa assim... Não lembro bem... Sei que, na verdade, queria uma consulta espiritual à distância. Sou esperta! Se não posso ir até a Índia, ela viria até mim. rs... Brincava com ele, dizendo que, na Índia, a oração deve ter mais força... E ele, como um bom amigo, sabia bem o que eu queria pedir ao Divino. Semana passada, então, fiz minha cobrança: "E aí, Fábio? Fez o que pedi?" E ele me respondeu: "Domingo, vou num templo, aqui, e pedirei por você."

Então, eu sugeri que ele fizesse uma promessa a Krishna em meu nome. Poucas são as pessoas a quem eu confiaria uma intermediação entre o que um desejo que vai no meu coração, um pedido... e o "Pai". Fábio é uma delas. É uma pessoa linda, de alma pura, coração nobre, inteligência ímpar... Era ele meu mensageiro! E ali estava, no lugar certo.

 (Ganesha - "Aquele que remove os obstáculos")


 (Ganesha. A visão que tive. Impressão pessoal)

(nossa origem mais humanizada, em reverência)

O dia escolhido foi um domingo. Aqui, em Salvador, chovia muito, dentro e fora de mim. Eu estava triste. Mas, havia um amigo, que, em meu nome, fazia uma promessa linda, com oferendas, no altar do "Templo do Amor." (Temple of Love). Eu não vou contá-la aqui. É um segredo nosso: meu, dele e de Krishna. Mas, posso dizer que foi a promessa mais linda que já fiz, talvez por pretender "algo" de valor inestimável. Não foi uma promessa do tipo "toma lá dá cá". Ela tem toda uma simbologia. Então, quis registrá-la aqui, de alguma forma, para que eu não a esqueça.




Queria poder trancrever a forma como meu pedido foi narrado à Krishna, pois guarda a simplicidade de um amigo fiel, com sua natureza engraçada, que me fez prometer mais do que o acertado. Mas, tá valendo! Ficou ainda mais rica minha promessa! Rico mesmo é o desejo que Krishna vai atender.. Ah, se vai! E aí, um dia, quando ele se fizer concreto, vou contá-lo aqui. Vou trancrever as palavras de Fábio, diante do altar, e postar uma foto (não sei qual, ainda), que simbolizará o pedido e a conquista - a ligação entre o templo, o amor, a promessa.





Obrigada, amigo, pelo amor! Obrigada, Deus, pelo amor! Obrigada, Krishna, pelo amor! Harebol!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um motivo para sorrir...

A vida - com seus caminhos cheios de curvas, de atalhos e tropeços - está sempre nos convidando a refletir, a entender, a aceitar, a nos perdoar, a amar... a sorrir! O caminho nem sempre é reto, mas nos leva a algum lugar. Isso sempre! Muitas vezes, a subida é longa e desgastante, mas, lá do alto, podemos ter a melhor visão.  A mais exuberante! 

Ainda hoje, falava sobre o quanto é bom fazer trilha. Lembrava da caminhada, da subida até o Pico da Tijuca e a paz que aquele lugar nos reserva. Mesmo com a tristezinha insistente (que tem me roubado o sorriso, em muitos momentos), há sempre um pouco de alegria guardada, seja num cheiro, num sabor, numa imagem, num gesto inesperado, numa lembrança... E, hoje, eu lembrava da Subida ao Pico da Tijuca, para, em ato contínuo, lembrar-me, também, da Cachoeira das Almas... Sua água fria, num dia frio, meu medo de sentir mais frio... E, quando menos esperei, já estava a me banhar, sem sentir mais o corpo. Engraçado como o ato de  "não sentir" me levava a sentir tanta coisa boa. Sobretudo, naquele momento, senti paz. Alegria e paz. Lembro que eu sorria...

Talvez seja esse o segredo: despir-se do medo e experimentar a água fria, aceitando o choque, para, depois, sem nada mais sentir, experimentar a paz. Faço de conta, então, que estou a tomar um banho de cachoeira (como sempre me imagino, quando estou sendo abençoada, no passe espírita. Ao fechar os olhos, penso que um amigo de luz me segura pelas mãos e me leva em direção a uma cachoeira ou me imagino olhando o mar, com Jesus Cristo do meu lado, ensinando-me a importância das ondas...), porque tudo o que preciso, neste momento, é não sentir, para sentir.

Às vezes, a gente caminha tão sem direção, que é necessário parar para rever a rota, o destino, o que é realmente importante.  Às vezes, concientes, conseguimos entender que a bagagem que carregamos está pesada demais com coisas que sequer nos serão utéis um dia. Neste momento, tranquilos, vamos deixando no caminho, com  desapego, tudo de que não mais precisamos. Outras vezes, não temos a capacidade de entender isso sozinhos. É quando somos tomados de supresa e "alguém" nos leva o tal "objeto" que não pode mais compor nossa bagagem... Maldizemos o outro, nos ressentimos, nos magoamos, para, só depois, entender que tudo tem um "porquê". 

Confesso que não sou do tipo "desapegada". Talvez, por isso, ainda sofra tanto com a falta do que queria carregar comigo, mas que acabou ficando no meio do caminho... Bem, pelo menos, hoje, decidi seguir em frente, depois de mais um golpe de "alguma coisa ficou no caminho". rs...

Foi difícil acordar cedo, para retomar minha rotina, minha malhação matinal, deixada de lado há quatro semanas (por estar adoentada em duas delas, mas por preguiça de retornar depois). Reuni as forças das quais não dispunha e levantei da cama. E olha que bom: levantei, para sorrir! Para sentir alegria! Nem havia entrado na academia, ainda, e já ouvia pessoas gritando meu nome: "Alê voltou! Gente, Alê tá subindo!". Fiquei feliz com a recepção. É tão bom quando a gente se sente querida, principalmente em dias feitos pra chorar... É tão bom poder contrariar a tristeza com um sorriso, ainda que discreto, contido. É bom demais receber carinho, em momentos em que a indiferença de alguns lhe toca a fronte, implacável.

É assim mesmo: de onde menos esperamos, vem o afago, o auxílio espiritual, na presença de amigos e até em gestos de pessoas que nem sabemos que gostam tanto da gente. Semana passada, numa manhã de trabalho como todas as outras dos últimos dias, fui recepccionada pelo juiz que presidia a audiência, que me estendeu a mão e me disse, com um olhar fraterno no rosto e com a suavidade típica de um senhor, que já ultrapassa os sessenta anos de idade: "Doutora, a senhora é uma das advogadas que mais gosto de ver. Fico alegre ao ver a senhora. Eu, supresa, questionei a deferência. Ele prosseguiu: "Não sei bem explicar... mas a senhora tem uma serenidade, está sempre sorrindo, tranquila... É firme quando deve ser dura, mas não perde esse ar sereno. Como posso dizer? Deixe-me ver... A senhora é meiga. Isso mesmo. É meiga!" Eu não via outra forma de agradecer o gesto, senão sorrindo e assentindo, tímida, com a cabeça. E, então, ele concluiu: "a senhora me faz lembrar aquela famosa frase de Che Guevara: 'Hay que endureserse, pero sin perder la ternura jamás'". Não preciso nem dizer o quanto fiquei comovida com essas palavras, não é? Até porque estava tão quietinha no meu canto, naquele dia... Sorrir estava sendo mais um ato sociável que espontâneo... Mas não deixa de ser um exercício!

Assim é a vida, dizia eu... sempre nos convida a sorrir. Eu tenho certeza que a tristeza faz parte do processo e, enquanto a alegria não se faz plena de novo, não custa nada um sorriso ou outro... A vida sempre nos dá motivos para sorrir!

Essa música de Djavan diz tudo!

sábado, 14 de maio de 2011

Um dia para ser esquecido ou lembrado?

Não fosse a tarde maravilhosa, na presença de amigos queridos, na casa de Querol (primeiro almoço na casa dos recém-casados, Carol de Dan), eu poderia dizer que o dia de hoje seria um dia ideal para ser esquecido. Esquecido, na tentativa de neutralizar as energias ruins da manhã. 

A gente sempre assiste, em filmes, novelas, até ouve falar por aí da existência de pessoas que sentem prazer em magoar os outros. Assistimos, de longe, e horrorizados, noticiários de pais que matam filhos e vice-versa... Sabemos de irmãos inimigos, que, sem explicação aparente, matam-se, com golpes de faca, arma de fogo ou qualquer outra arma letal. Mas, hoje, eu morri para minha irmã atingida pelas suas palavras. 

Eu já havia sido golpeada outras vezes. Muitas outras. Desde criança, ela já se apresentava como minha inimiga particular, aquela que se mostra aos poucos, sem que ninguém mais da família notasse. Mas eu sabia. Eu sempre soube, na verdade. Era um ciúme desmedido, uma inveja discreta e inexplicável. Uma disputa para a qual eu sequer teria sido convidada. Se o tivesse sido, também não aceitaria.

Acho que irmãos deveriam ser amigos, mas essa minha idéia nunca saiu do mundo mesmo das idéias. Foi assim que fiz minha família grande, mas grande de amigos, que adotei como irmãos, porque a vida me ensinou a amá-los. A irmã que tive nunca foi minha amiga e, se um dia (sei lá quando!), percebi que jamais seria, hoje, tenho a convicção de que, realmente, não há chances!  Hoje, minha irmã me matou. A verdade é que, para mim, ela deixou de existir há tempos, mas eu nunca a matei. Ela só perdeu a forma. Digamos que tenha sido uma morte natural.

Ela é má, guarda um coração cheio de ódio. Não sabe amar, porque sempre foi muito egoísta pra sentir amor.  

A Doutrina Espírita me ensinou sobre a necessidade da convivência em família, para resgates dos quais não nos lembramos, mas com os quais nos comprometemos. Fico a me perguntar: eu escolhi mesmo a convivência com uma pessoa assim? Por que, meu Deus? Escolhi mesmo viver num ambiente tão insalubre, tendo minhas energias subtraídas por um inimigo tão próximo? Escolha desfeita! Não quero mais. Hoje, gritei aos quatro ventos uma decisão que reflete a minha verdadeira vontade. Aquela que meu coração não nega, mas que não guarda a podridão das palavras que ouvi em forma de praga. As rejeito, mas a minha rejeição nãolhes retira a nocividade, a maldade. E isso é, inegavelmente, triste.

Às vezes, penso que não posso esquecer a manhã de hoje, mas prefiro pensar que o melhor é deixá-la passar, com suas palavras, com sua crueldade... passar, levando a irmã que meu coração não consegue amar. A irmã que mostrou suas garras e sua alma nua, seus pensamentos sórdidos, seus sentimentos cruéis. A irmã que sequer percebe que o futuro que me deseja já se faz presente na vida dela há muito tempo!

Tudo o que quero é me manter longe, "para que meus inimigos tenham olhos, mas não me vejam; tenham pernas, mas não me alcancem...".

terça-feira, 10 de maio de 2011

Samba de Bênção - Vinicius de Moraes e Toquinho

Saudade

Não gosto de sentir saudade. Saudade é a ausência que se faz sentida, bem sentida... 

Para a saudade, o tempo (que dizem ser o melhor remédio pra tudo) torna a dor ainda mais aguda. Então, o remédio para a saudade é a presença, seja ela como for! Eu fico aqui com meus pensamentos... minhas lembranças... Não posso trazer quem quer ir, já que eu preciso ficar. Ainda.