Ah!!! Achei tão injusto não querer ser Drumond hoje, que pensei em me retratar... rs... Ele é tão genial, que, dificilmente, não teria palavras pra expressar, com a poesia de sempre, o que ando sentindo esses dias... Aí me lembrei de um poema dele que fala sobre o "Ano Novo". Fui buscá-lo. Ao relê-lo, de imediato, repensei todo o ano de 2010 e como foi bom perceber que cumpri muitas de minhas metas, chegando ao final de mais essa etapa de minha vida feliz pelas conquistas alcançadas e esperançosa com os sonhos que tenho pra tornar reais (seja em 2011 ou um pouco mais adiante). O bom foi notar que estou no caminho certo! Bom saber que meus sonhos não morreram nem morrerão jamais! Bom quando os sonhos da gente têm cor e movimento. Acabo de sentir o cheiro também! Ops! Felicidade tem cheiro? Hum... estou sentindo o cheirinho da felicidade!!! Que venha 2011! Cheio de amor, saúde, conquistas financeiras, equilíbrio, harmonia e paz pra toda a humanidade! Que Deus nos abençõe a todos! Obrigada, meu Deus, pelo ano iluminado que tive!
RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummond de Andrade)
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
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