Alexsandra Bastos Minha Epifania

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

"Sem Mandamentos" - Oswaldo Montenegro


Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação


http://www.youtube.com/watch?v=Hf0epARAFJ8&feature=player_embedded 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Errata e um pouco mais!

Ah!!! Achei tão injusto não querer ser Drumond hoje, que pensei em me retratar... rs... Ele é tão genial, que, dificilmente, não teria palavras pra expressar, com a poesia de sempre, o que ando sentindo esses dias... Aí me lembrei de um poema dele que fala sobre o "Ano Novo". Fui buscá-lo. Ao relê-lo, de imediato, repensei todo o ano de 2010 e como foi bom perceber que cumpri muitas de minhas metas, chegando ao final de mais essa etapa de minha vida feliz pelas conquistas alcançadas e esperançosa com os sonhos que tenho pra tornar reais (seja em 2011 ou um pouco mais adiante). O bom foi notar que estou no caminho certo! Bom saber que meus sonhos não morreram nem morrerão jamais! Bom quando os sonhos da gente têm cor e movimento. Acabo de sentir o cheiro também! Ops! Felicidade tem cheiro? Hum... estou sentindo o cheirinho da felicidade!!! Que venha 2011! Cheio de amor, saúde, conquistas financeiras, equilíbrio, harmonia e paz pra toda a humanidade! Que Deus nos abençõe a todos! Obrigada, meu Deus, pelo ano iluminado que tive!


RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa

fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Se eu fosse poeta...

Costumo dizer que se eu fosse poeta seria Carlos Drummond de Andrade, principalmente quando estou triste e não sei expressar a tristeza ("Consolo na Praia" é perfeita!).  Ah!!!!!! Mas, hoje, longe de qualquer fidelidade ao meu querido Drummond e da menor tristeza, eu seria Lulu Santos e Ronaldo Bastos (dois em um!), pra escrever isso:

Um Certo Alguém

Composição: Lulu Santos / Ronaldo Bastos

Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir
Fico à vontade então
Acho que é bobagem
A mania de fingir
Negando a intenção



E quando um certo alguém
Cruzou o teu caminho
E te mudou a direção

Chego a ficar sem jeito
Mas não deixo de seguir
A tua aparição



E quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar



Me dê a mão
Vem ser a minha estrela
Complicação
Tão fácil de entender
Vamos dançar
Luzir a madrugada
Inspiração
Pra tudo que eu viver
Que eu viver, uoh, uoh



E quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar

 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Espelho, espelho meu...

Hoje eu estou meio assim... de um jeito tão "eu" de ser eu mesma, que chega a enjoar. Não que eu seja tão doce a ponto de causar enjôo, mas meus pensamentos estão melancólicos - um pouco no passado ou projetados no futuro. O certo é que hoje, exatamente hoje, estou recusando o presente.  E isso enjoa mais do que uma lata de leite condensado tomada "gute-gute". E pode causar similares engasgos! Essas idas e vindas e as pontes que são traçadas por cima do "agora" me deixam tonta. Acho que preciso parar de pensar um pouco, esvaziar a mente... Alguma técnica de meditação, urgente!

Se tenho trabalho pra fazer, não os quero para agora. Se estou na rua, quero voltar pra casa. Dela, muitas vezes, quero sair correndo pra qualquer lugar. Busco silêncio. E diante dele, ouço minha voz ecoar, inquieta, querendo companhia. Alguém que ouça minhas besteiras e goste delas, sem cobranças, sem avaliações. Um bom papo, assuntos diversos, tranquilidade.... Poxa, Fábio aqui cairia muito bem. Ao invés de tomar a lata de leite condensado, poderia fazer um brigadeiro e comê-lo às colheradas, na companhia do melhor amigo... Como já fizemos várias vezes, em longas tardes ou adentrando as madrugadas... 

Só que estou no trabalho... E, aqui, tudo o que tenho pra beber é água. E não se faz brigadeiro com água. Fábio?  Longe, muito longe... Hoje, meu pensamento ainda não foi capaz de buscá-lo no msn. Este, por sua vez, anda sendo um veículo de conflitos, ansiedade, tristeza até! Mas aí é outra história... Ou não! Fábio, ultimamente, tem sido minha grande metáfora! Talvez seja ele a ponte. Nossa! Tá ficando complexo. Difícil quando a gente escreve sem querer sem muito bem compreendida, mas também sem querer parecer maluca... É isso que eu defino como "um jeito tão 'eu' de ser eu mesma": quando Fábio deixa de ser Fábio e só eu entendo! 

;)