Alexsandra Bastos Minha Epifania

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Por que Dilma?

Um dia após milhares de brasileiros terem saído de suas casas para elegerem uma mulher (a primeira!) à Presidência da República, coloquei-me a pensar na representatividade que essa escolha pode ter. Só que para entender a escolha precisamos, antes de mais nada, voltar os olhos para o agente da ação, aquele que conjuga o verbo, aquele que, no dia 31 de outubro de 2010, dirigiu-se à urna e lançou o seu voto, definindo, com um simples gesto, o destino do seu país. Foi, então, que me lembrei que há "alguns" anos atrás, quando me preparava para o vestibular, li a obra do grande antropólogo Roberto da Matta - "O que faz o brasil Brasil". De forma ímpar, ele traça o perfil do brasileiro, cujo trecho faço questão de destacar:


"Note-se que se trata de uma pergunta relacional que, tal como faz a própria sociedade brasileira, quer juntar e não dividir. Não queremos ver um Brasil pequeno e outro grande, já feito. Não! Queremos, isto sim, descobrir como é que eles se ligam entre si; como é que cada um depende do outro, e como os dois formam uma realidade única que existe concretamente naquilo que chamamos de “pátria”. Numa linguagem mais precisa e, mais sociológica, dir-se-ia que o primeiro “brasil” é dado nas possibilidades humanas, mas que o segundo Brasil é feito de uma combinação especial dessas possibilidades universais. O mistério dessa escolha é imenso, mas a relação é importante. Porque ela define um estilo, um modo de ser, um “jeito” de existir que, não obstante estar fundado em coisas universais, é exclusivamente brasileiro. Assim, o ponto de partida deste ensaio é o seguinte: tanto os homens como as sociedades se definem por seus estilos, seus modos de fazer as coisas. Se a condição humana determina que todos os homens devem comer, dormir, trabalhar, reproduzir-se e rezar, essa determinação não chega ao ponto de especificar também que comida ingerir, de que modo produzir, com que mulher (ou homem) acasalar-se e para quantos deuses ou espíritos rezar. É precisamente aqui, nessa espécie de zona indeterminada, mas necessária, que nascem as diferenças e, nelas, os estilos, os modos de ser e estar, os “jeitos” de cada qual. Porque cada grupo humano, cada coletividade concreta, só pode pôr em prática algumas dessas possibilidades de atualizar o que a condição humana apresenta como universal. As restantes ficam como uma espécie de fantasma a nos recriminar pelo fato de as termos deixado nos bastidores, como figuras banidas de nosso palco, embora estejam de algum modo presentes na peça e no teatro.
No fundo, essa questão do relacionamento dos universais de qualquer sistema com um sistema específiço é das mais apaixonantes de quantas existem no panorama das Ciências Humanas. Trata-se, sempre, da questão da identidade. De saber quem somos e como somos, de saber por que somos."


Minha memória "retrô" me remeteu ao dia em que Lula, eleito presidente do Brasil, em lágrimas, disse algo parecido com "Eu, que nunca tive nenhum diploma, recebo o primeiro diploma da minha vida - o de Presidente da República do meu país". Eu (esquerdista de carteirinha), que, desde os meus 10 anos de idade, fugia de casa, para fazer boca-de-urna para Lula, e, sem que minha mãe sonhasse, dava umas "escapulidas"pra participar de alguns movimentos estudantis, chorei junto com ele.

Uma vontade que nasceu quando ainda criança - como uma utopia, talvez - tornou-se real. Foi grande a alegria! Sempre acreditei que ele valorizaria o tal "diploma". Não me enganei! Homem obstinado. Homem honrado.    

Contrariando a história e todos aqueles que o taxavam de "metalúrgico analfabeto", Lula brilhou! Chegamos ao fim de quase oito anos de governo. Aquele mesmo "analfabeto" foi reconhecido no mundo inteiro como um grande líder. Há pouco, lia uma matéria publicada em 20/09/2009, cuja fonte deixo aqui registrada, para que outros interessados tenham acesso http://www.dilma2010.blog.br/em-menos-de-sete-anos-de-mandato-lula-ja-acumula-263-condecoracoes/  "Em menos de sete anos de mandato Lula já acumula 263 condecorações". Brilhante! Simplesmente, brilhante! Fico pensando... o que teria sido se ele tivesse estudado?

Consciente da sua trajetória de luta, do compromisso com o seu povo, do trabalho que resultou numa melhor qualidade de vida para toda a nação, Lula ainda chora:



E eu choro junto com ele!

Homem simples, mas de uma nobreza sem igual, Luiz Inácio Lula da Silva deixa o governo da forma como entrou: nos braços do povo. 

Por que Dilma foi eleita? Eis a resposta:

http://www.youtube.com/watch?v=vIURFp9D1Q8

Já que a esperança venceu o medo, quero que o meu Brasil continue mudando! Dilma Rousseff: a primeira mulher presidente do Brasil! 


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